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BIBLIOTECA LASCASAS ISSN 1885-2238

 

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Democratização da produção do conhecimento e a acessibilidade à informação: desafios para a qualificação da prática de Enfermagem
Marta Lenise do Prado1, Vânia Marli Schubert Backes1, Odaléa Maria Brüggemann1
1Departamento de Enfermagem e do Programa de Pós-graduação em Enfermagem/PEn da Universidade Federal de Santa Catarina (Brasil)

Biblioteca Lascasas [Bibl Lascasas] 2008; 4 (1)

 

 

 

 

 

Cómo citar este documento

 

 

Prado ML do, Schubet Backes VM, Brüggemann OM. Democratização de produção do conhecimento e acessibilidade à informação: desafios para a qualificação da prática de Enfermagem. Biblioteca Lascasas, 2008; 4(1). Disponible en <https://www.index-f.com/lascasas/documentos/lc0308.php> Consultado el 28 de Mayo del 2024

 

 

 

 

 Ref.

 

lc0308

País

 

Brasil

Idioma

 

Portugués

Fecha de producción

 

2008

Productor

 

Las autoras

Proveedor

 

Marta Lenise do Prado

Fecha de inclusión en la Biblioteca Lascasas

 

26-02-2008

 

 

 

 

 

A produção e a disseminação de conhecimento constituem-se em aspectos fundamentais para o desenvolvimento de qualquer disciplina, tendo em vista seu compromisso com a sociedade. Novos conhecimentos precisam permitir novos modos de fazer, novos processos, novas tecnologias que sejam capazes de construir e reconstruir estratégias de superação de iniqüidades, garantindo um mundo melhor para a humanidade. Tão importante quanto ser capaz de produzir novos conhecimentos, uma disciplina precisa ser capaz de fazer com que esses conhecimentos sejam incorporados em sua prática profissional. Afinal, qualquer conhecimento produzido só tem sentido se contribuir para a melhoria da vida dos seres humanos. Isso implica não só na produção do conhecimento, mas também na criação de mecanismos que promovam acesso à informação de forma igualitária.

Conhecimento é poder e nem sempre está dirigido à superação das desigualdades, mas ao contrário, muito freqüentemente, está dirigido à manutenção de relações hegemônicas e de dominação. As forças hegemônicas determinam não só o conhecimento que se produz, como também o conhecimento que se dissemina. Como afirma Demo (2000) todo processo informativo é manipulador, porque seleciona a informação disponível, além de interpretá-la, ou seja, à medida que conhece a realidade, destaca nela o que o método pode captar, além de impingir interpretações orientadas pelos seus interesses.

Mas, o conhecimento (assim como sua produção e sua disseminação) não é neutro e, ao mesmo tempo, é também perigoso. Sua periculosidade está em sua face desruptiva: o conhecimento novo promove emancipação, o que implica capacidade de confronto, de quebra da ordem vigente, considerada impositiva e injusta, pois conhecer implica questionar. E aí está a ambigüidade do conhecimento: de um lado a manutenção, de outro a ruptura da ordem estabelecida (Demo, 2000).

E por que resgatamos essa idéia quando refletimos acerca dos desafios da Enfermagem na democratização do conhecimento?  Porque a Enfermagem, como disciplina da área da saúde, tem forte compromisso social e responsabilidade ético-política no tocante a prestação de cuidados em saúde; trabalha buscando compreender e desenvolver ações que visem satisfazer as necessidades de saúde da população. Por isso seu desafio não está somente na produção de conhecimentos, mas na produção de conhecimentos apropriados; não está somente na disseminação do conhecimento produzido, mas na garantia de acesso a ele.

A produção de conhecimentos apropriados requer o reconhecimento (e respeito) das diferenças e especificidades sociais, econômicas e culturais que determinam as práticas em saúde e Enfermagem, quer sejam as realizadas nas Américas, na Europa, na Ásia, na África ou na Oceania. Para isso, é preciso compartilhar o conhecimento produzido, de modo a favorecer a compreensão dos diferentes contextos, a apontar caminhos (ou descaminhos) e a indicar alternativas, permitindor o reconhecimento de processos e produtos que possam ser aplicados, ou sejam inspiradores de outros processos e produtos adequados ao contexto a que se dirigem.

Para garantir acessibilidade ao conhecimento produzido é preciso crer que compartilhar conhecimento é um ato de solidariedade; que saúde (e o conhecimento produzido) é um bem e não uma mercadoria (outra ambivalência). E, para pensar a saúde como um bem coletivo e o significado político que isso representa, é necessário que a Enfermagem exercite o seu direito de acesso ao conhecimento, como afirmam Prado et al. (2007). Além disso, a democratização do conhecimento e a acessibilidade à informação são condições para a qualificação da prática de qualquer disciplina.

Neste sentido, precisamos ultrapassar os mecanismos hegemônicos de produção e disseminação do conhecimento da Enfermagem - os chamados meios científicos. Não os ignorando (porque válidos), mas não se limitando a eles (porque não somente o conhecimento dito científico é válido). Falamos de uma ciência cujos limites ainda se encerram numa concepção mecânica e racional, ainda que hoje estejamos vivendo uma metamorfose dessa concepção mecanicista que nos impressionou até há pouco tempo. O que expande o mundo da cientificidade, é que ele antes era visto como o mundo do objeto, e agora se faz atento também aos mundos da subjetividade, da reflexão, da filosofia, reconhecidos pela ciência hoje como mundos não excludentes, uma vez que se dá a restituição do sujeito à ciência e da ciência aos sujeitos (Barbosa et al., 2003).

Advogamos a favor de outro olhar à cientificidade, o que corresponde a dar à ciência um sentido diferente, considerar coisas antes não consideradas, encaixar tudo que diz respeito ao minúsculo, as pequenas coisas, como se referiu Morin (1996). E aí estão incluídos os diferentes tipos de conhecimento que sustentam o corpo de conhecimento da Enfermagem: histórico, filosófico, estético, humanístico, técnico, político e ético.

Portanto, é preciso ultrapassar os mecanismos hegemônicos da produção e disseminação do conhecimento e, para isso, é preciso inteligência. E a inteligência está na habilidade de lidar com a ambivalência do conhecimento (e não negá-la), reconhecendo que é preciso aprender a pensar para além da lógica retilínea e evidente, porque nem o conhecimento é reto, nem a vida é caminho linear. Saber criar depende, em grande parte, da capacidade de navegar em águas turvas, saltar onde menos se espera e vislumbrar para além do que é recorrente (Demo, 2000)

Referências:
-Barbosa, Sayonara de Fatima F; Paim, Lygia; Prado, Marta Lenise do; Martins,  Cleusa Rios. Desenvolvimento de Tecnologias para o Cuidado: tendências e perspectivas. ABEn. Anais. XII SENPE. Porto Seguro, Abril. 2003.
-Demo, Pedro. Ambivalências da sociedade da informação. Ci. Inf., Brasília, v. 29, n.2, p. 37-42, maio/ago. 2000.
-Morin, Edgar. Epistemologia da Complexidade. In: Schnitman, D.F. (org) Novos Paradigmas, Cultura e Subjetividade. Porto Alegre, Artes Médicas, 1996.
-Prado, Marta Lenise do; Backes, Vânia Marli Schubert; Santana, Mary Elizabeth de; Souza, Maria de Lourdes de. Políticas públicas na formação em saúde: contribuição da Enfermagem para superação das desigualdades regionais brasileiras. Texto Contexto Enferm.  [periódico na Internet]. 2007  Set [citado 2008  Jan  31] ;  16(3): 531-535. Disponível em: https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-07072007000300020&lng=pt&nrm=iso. doi: 10.1590/S0104-07072007000300020

 

 

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