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EVIDENTIA: ISSN 1697-638X 2017 v14 e11025p

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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Epidemiologia do HIV/Aids em idosos de um estado do nordeste do Brasil: série histórica de 2007 a 2015

Layze Braz de Oliveira,1 Artur Acelino Francisco Luz Nunes Queiroz,1 Álvaro Francisco Lopes de Sousa,1 Telma Maria Evangelista de Araújo,2 Maria Eliete Batista Moura,2 Renata Karina Reis1
(1) Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto, Universidade de São Paulo. Ribeirão Preto, São Paulo, Brasil. (2) Departamento de Enfermagem, Universidade Federal do Piauí. Teresina, Piauí, Brasil

Manuscrito recibido el 7.4.2016
Manuscrito aceptado el 13.10.2016

Evidentia 2017; vol. 14

 

 

 

Cómo citar este documento

De Oliveira, Layze Braz; Queiroz, Artur Acelino Francisco Luz Nunes; de Sousa, Álvaro Francisco Lopes; de Araújo, Telma Maria Evangelista; Moura, Maria Eliete Batista; Reis, Renata Karina. Epidemiologia do HIV/Aids em idosos de um estado do nordeste do Brasil: série histórica de 2007 a 2015. Evidentia. 2017; vol. 14. Disponible en: <https://www.index-f.com/evidentia/v14/e11025p.php> Consultado el

 

 

 

Resumo

Objetivo: analisar o perfil, e descrever as características de pessoas com 60 anos de idade ou mais notificadas com HIV/aids, de 2007 a 2015 em um estado do nordeste do Brasil. Método: estudo descritivo, epidemiológico, realizado por meio de levantamento na base de dados SINAN-NET. Os dados foram coletados em outubro de 2015 e são referentes ao período de 2007 a 2015 (n=549). Resultados: Os casos notificados apontam um crescimento vertiginoso. Verificou-se uma tendência ascendente da infecção em mulheres. A maior frequência de casos de HIV/aids foi em indivíduos com ensino fundamental incompleto (44,87%), pardos (71,25%). A infecção por via sexual correspondeu a 83,60% dos casos, as quais ocorrem na maioria entre heterossexuais. Conclusão: À exemplo do acontece nos demais estados do Brasil, o perfil da aids em idosos residentes no Estado experimenta uma mudança ao longo dos anos bem como um considerável aumento do número de casos notificados.
Palavras chave: AIDS/ Idoso/ Epidemiologia.

 

 

 

Introdução

Poucos eventos desafiaram tanto a saúde mundial nas últimas décadas, quanto a aids. O comportamento da doença mundialmente revela a ocorrência de uma pandemia crescente e silenciosa, destacando-se principalmente na população jovem e adulta. É pertinente salientar o aumento do número de pessoas idosas com essa infecção, principalmente devido ao aumento da expectativa de vida da população em geral, com mudanças na vida sexual do idoso.1

Os idosos com HIV são menos propensos a ter um cuidado informal e apoio social fornecidos por amigos e familiares, e ainda podem experimentar maior isolamento social, solidão e depressão. A progressão dessa infecção é substancialmente mais rápida no idoso em comparação a indivíduos mais jovens. A média de sobrevivência também é menor, sendo de 11 anos em jovens infectados com idade entre 25-34 e de 4,4 anos em pessoas com 65 anos ou mais.1,2

A despeito da preocupação sinérgica com os segmentos populacionais mais afetados, a infecção pelo HIV/aids no idoso configura-se em um problema de saúde pública em potencial, uma vez que aproximadamente 2,8 milhões de adultos com mais de 50 anos estavam vivendo com HIV no mundo em 2005. Em 2050 esse valor deverá dobrar.3

No Brasil a proporção dos casos de aids em pessoas com idade igual ou superior a 60, de 1980 a 2014 foi de 23.271 casos, apresentando uma taxa de detecção de 9,5 por 1000 mil habitantes no ano de 2013, já a taxa de óbito de 1980 a 2013 foi de 12.373 idosos. É importante ressaltar que ainda existe uma elevada taxa de subnotificação no país, dada a baixa cobertura de testagem, principalmente em estados mais pobres das regiões norte e nordeste do País.4

Baseado nesta problemática, pretendeu-se observar o comportamento da epidemia da aids em idosos de um estado carente do Brasil. Em 2014, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, o Piauí registrou a pior relação de renda per capita de todas as unidades da federação brasileira, bem como o de menor produto interno bruto (PIB) e um dos menores Índice de Desenvolvimento Humano. Baseado nisto, toma-se como objeto de pesquisa o perfil epidemiológico da aids, na população acima de 60 anos, baseado na ausência de pesquisas atuais sobre o tema bem como na dupla invisiblidade desses sujeitos, em um estado do nordeste brasileiro. Buscou-se analisar o perfil das pessoas com 60 anos ou mais anos de idade, notificadas com HIV/aids, no período de 2007 a 2015.5


Método

Trata-se de um estudo descritivo, epidemiológico, realizado por meio de levantamento na base de dados SINAN-NET do estado. Os dados foram coletados em outubro de 2015 e são referentes aos anos de 2007 a 2015.

Neste estudo, foi utilizada a definição de idoso adotada pela organização mundial de saúde, ou seja, indivíduo com 60 ou mais anos de idade. A coleta foi realizada pelos próprios pesquisadores, que fazem parte da Gerência Estadual de Atenção a Saúde do Estado.

Após a coleta procedeu-se a tabulação dos dados. Realizou-se análise descritiva simples, utilizando-se o software de planilha eletrônica Excel. Os achados mais significativos foram apresentados em tabelas. Uma vez que, a pesquisa foi realizada a partir de uma base de dados de domínio público, não foi necessária submissão a Comitê de Ética em Pesquisa. Contudo, foi submetido à aprovação pela Instituição (Secretaria de Estado da Saúde do Piauí/Diretoria de Vigilância e Atenção à Saúde) que cedeu acesso a base de dados.
 

Resultados

Foram notificados no período estudo 549 casos de HIV/aids em idosos. Os casos notificados de aids em idosos no Piauí no período de 2007 a 2015 apresentaram um crescimento vertiginoso no decorrer da série histórica , principalmente a partir de 2011. Se observa que os indivíduos do sexo masculino ainda contribuem com o maior número de casos de aids notificados (68,30%). No período analisado foi possível verificar uma tendência ascendente da infecção em mulheres [Tabela 1].

Tabela 1. Casos de HIV/aids em idosos notificados no SINAN-Net, segundo sexo 2007-2015. Teresina-Piauí, 2016

Tabela 1
Fonte: SINAN. Dados consolidados até 30/10/2015

De acordo com a Tabela 2, a maior frequência de casos de HIV/aids em idosos foi em indivíduos com ensino fundamental incompleto (44,87%). Enquanto, a educação superior incompleta foi a que apresentou menor número de casos notificados (2,75%).

Tabela 2. Casos de HIV/aids em idosos notificados de 2007 a 2015, segundo a Escolaridade. Teresina-Piauí, 2016

Tabela 2
Fonte: SINAN-net. Dados consolidados até 30/10/2015

A infecção por via sexual corresponde a 83,60% dos casos, os quais ocorreram na maioria entre heterossexuais. As drogas injetáveis se constituem em um dos principais categorias de exposição para a infecção por via sanguínea, apesar dos baixos registros. O ano de 2013 seguido do ano de 2014 foram o que registraram o maior número de casos, 83 e 82, respectivamente [Tabela 3].

Tabela 3. Casos de HIV/aids em idosos notificados de 2007 a 2015, segundo a Categoria de Exposição. Teresina-Piauí, 2016

Tabela 3
Fonte: SINAN-net. Dados consolidados até 30/10/2015

O maior número de casos notificados foi em indivíduos que se auto declaram pardos (71,25%), enquanto os indígenas foram menos notificados com esse agravo, correspondendo a 0,07%, conforme a Tabela 4.

Tabela 4. Casos de HIV/aids segundo a cor em idosos notificados no período de 2007 a 2015. Teresina-Piauí, 2016

Tabela 4
Fonte: DATASUS. Dados consolidados até 30/10/2015


Discussão

O Brasil tem registrado um expressivo aumento na população idosa nas últimas décadas, em parte pela crescente expectativa de vida que sofreu um considerável aumento e já é de 74,08 anos em média. Nesse sentido, a aids, atualmente considerada uma enfermidade crônica, acompanha o atual momento epidemiológico do Brasil, em que destaca-se o crescimento dos agravos crônicos e degenerativos, de grande importância na saúde do idoso.6,7

Nesse sentido, a infecção pelo HIV/aids abandona cada vez mais o estigma da morte, e vive-se um momento em que é possível conviver com o vírus. O HIV destrói os mecanismos de defesa naturais do corpo humano e permite que as mais variadas doenças nele se instalem, constituindo-se a síndrome da imunodeficiência adquirida (aids). Considerando que o processo de envelhecimento já conduz a alterações das variáveis fisiológicas e morfológicas repercutindo nas diversas funções orgânicas, com destaque para a imunidade, a instalação de uma síndrome dessas proporções pode representar um grande desafio ao idoso.1,3

Ao longo dos anos, a infecção tem apresentado diversas transformações, tanto no que se refere à evolução clínica quanto ao perfil epidemiológico das pessoas infectadas. A análise dos dados permitiu-nos observar que existem diferenças entre o número de homens (68,3%) e mulheres (31,7%) infectadas pelo HIV, embora essa epidemia esteja enveredando para uma tendência de feminização. Na década de 1980 no Brasil, a proporção dos casos de aids era de 34:1 homens para mulheres, enquanto, atualmente de acordo com o Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde do Brasil, até junho de 2012, são 1,7 homens para cada mulher infectada pelo vírus no Brasil.6

A feminização da epidemia tornou-se uma realidade evidente, desde o início deste século, apesar da demora no reconhecimento da mulher como um segmento populacional vulnerável a essa infecção. Este fato ainda pode ser verificado nos dias atuais pelas ineficazes campanhas preventivas e pouca visibilidade de debates sobre feminização.7

Neste caso, alia-se a vulnerabilidade e invisibilidade etária associada à de gênero, uma vez que a morosidade não é exclusiva a feminização e soma-se a idéia preponderante entre profissionais da saúde do "idoso assexuado". Assim, a aids traz para as mulheres brasileiras problemas sobrepostos aos já enfrentados por elas em uma sociedade historicamente machista e opressora.7,8

Além disto, há uma deficiência de informações acerca dos meios de prevenção do HIV/aids em idosos do sexo masculino, que pode influenciar a epidemiologia da doença. É comum entre os homens a ideia de não considerar legítimo o uso da camisinha para prevenção da Aids com suas parceiras fixas, ou mesmo a solicitação do uso da camisinha, devendo essas confiarem nos maridos. Além disso há uma deficiência de conhecimento no que concerne a colocar corretamente o preservativo, armazená-lo, manuseá-lo e validade.9

Quanto à escolaridade, considerado indicador necessário para mensurar o nível socioeconômico associado à saúde da população, prevaleceu o ensino fundamental incompleto (4 a 7 anos de estudo). A análise da escolaridade é importante para a descrição do perfil epidemiológico, uma vez que indica a influência da educação na infecção e prevenção da doença, além disto, um baixo nível educacional pode dificultar a adesão a terapia antiretroviral e estratégias de prevenção e controle da doença.6-8

Em geral, pessoas com idade superior a 45 anos e com menor escolaridade possuem pouco conhecimento quanto às formas de transmissão e prevenção da infecção pelo HIV e outras Doenças Sexualmente Transmissíveis, o que os levam a práticas equivocadas de prevenção como higienizar órgãos genitais após o ato sexual. Assim estão mais expostos, considerando-se os aspectos sociais de vulnerabilidade.10,11

A categoria de exposição heterossexual foi a mais frequente confirmando que a prática sexual sem proteção se constitui como a principal via de transmissão também entre indivíduos de idade mais avançada. Fatores como o aumento da atividade sexual entre idosos, acesso às novas tecnologias que melhoram e prolongam o desempenho sexual e a resistência em usar o preservativo podem justificar este achado. O desenvolvimento de inovações medicamentosas para tratar a disfunção erétil e impotência sexual também proporcionou um prolongamento da vida sexual dos idosos.10,12

Com relação á cor da pele, observou-se um predomínio de pardos. Esse predomínio pode ser justificado por dois fatos: no Brasil, a cor é auto-declarada, e no Nordeste do Brasil, a cor parda, tem predominância sobre as outras, principalmente por causa da forte miscigenação.7

A partir deste levantamento, percebeu-se que o perfil epidemiológico do HIV/aids em idosos ainda é pouco abordado o que dificulta o estabelecimento de um retrato a nível nacional, bem como comparações entre estados e regiões. No entanto, estudo realizado no Estado do Maranhão, pertencente a região Nordeste, mostrou semelhança com o perfil encontrado neste estudo.13
 

Conclusão

Á exemplo do acontece em outros estados brasileiros, o perfil da aids em idosos residentes neste Estado experimenta uma mudança ao longo dos anos, bem como um considerável aumento do número de casos notificados. Características regionais, como a faixa etária mais acometida, prevalência do sexo masculino, baixa escolaridade, prevalência de heterossexuais e cor da pele parda, se fazem presentes no perfil, e devem ser consideradas ao se propor medidas de prevenção, controle e acompanhamento.

O presente perfil epidemiológico requer mudanças significativas em relação à prática dos profissionais de saúde e disponibilidade de oferta de serviços, bem como o reconhecimento da vulnerabilidade dos idosos ao HIV/aids e suas implicações. Deve-se desenvolver uma ampla discussão de gênero e sexualidade.
 

Referências

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